
"No mundo em que vivemos, existem jovens que levam suas vidas como pessoas comuns, mas desconhecem o fato de possuírem o que os leigos chamam de "poderes especiais".
Ainda que não estejam cientes disso, esses jovens não só salvarão o mundo, como o transformarão para sempre.
Esta transformação do ordinário para o extraordinário não se dará da noite para o dia. Todas as histórias têm um começo. Esta, em particular, começa aqui."
Cena 01 – Na casa de Diego...
Era um dia bonito e ensolarado, e também o último dia do Festival Multicultural de Ouro Preto. Mas em uma época onde predomina a tecnologia, uma partida de videogame sempre falará mais alto, apesar do quão possa estar convidativo o dia lá fora. E era isso mesmo que Diego estava fazendo.
DIEGO – Eu vou acabar com você!!! (super empolgado, sentado no chão da sala, de frente para a TV)
Ele finalmente havia chegado no mestre final do seu jogo preferido, e não sairía dali por nada. Mas seus pais insistiam:
PAI – Vamos, filho! É o último dia do festival! Larga esse maldito jogo demoníaco! ( impaciente)
DIEGO – Eu não quero ir ao festival! Eu vou acabar com o Bowser! (sem largar o joystick, nem desgrudar os olhos da TV)
PAI – Você vai é para o festival conosco! (perde a paciência e puxa a tomada com ferocidade)
DIEGO - ... (pasmo)
O pai o agarra pelo braço e o arrasta para fora de casa. Diego está muito irritado.
DIEGO – Eu odeio este festival !!! (berra, choramingando)
Cena 02 – No Festival...
DIEGO – Eu adoro este festival !!! Iupiiii!!! (exclama contente)
PAI – Até que enfim ele esqueceu aquela máquina maldita... (meio confuso pela atitude inesperada do filho)
MÃE - ... (gotinha)
Diego arremessa argolas, super confiante. Diego está na barraca de Tiro ao Alvo, super empolgado. Diego está na barraca de pesca, super contente. Diego é obrigado a ir no Carrossel, super morgado. Diego é obrigado a ir de novo no Carrossel, desta vez para posar para a foto... muito irritado. Até que ele avista a Roda-Gigante, gigante e redonda, a maior coisa que ele já viu na vida.
DIEGO – Eu quero! Eu quero! Eu quero! Pai, deixa eu ir na Roda-Gigante!!! (esperneia, ansioso)
MÃE – É muito alto, filho! (meio preocupada)
PAI – Não, filho, você é jovem demais. Que tal irmos ao Carrossel? (sugestivo)
DIEGO – NÓS JÁ FOMOS NO CARROSSEL!!! EU QUERO IR NA RODA-GIGANTE!!! (berra, furioso)
Diego tanto fez, tanto berrou, que seu pai acabou cedendo. E lá se foram os três para a Roda-Gigante. Diego entra no brinquedo sozinho, aproveitando o tumulto da fila.
DIEGO – Haha! Iupiii!!! (super empolgado)
Porém, por um golpe do Destino, acontece um acidente e um cabo se rompe, precipitando o garoto para a morte. Seria uma queda terrível, não fosse por algo extraordinário.
PESSOA 1 – Ah, meu Deus! Ele vai cair! (perplexa)
VÁRIAS PESSOAS – Olhem! (apontando)
De alguma forma bizarra, os fios capilares do garoto se estenderam e criaram vida própria, agarrando-se a uma viga de metal no último instante, sustentando o pequeno Diego, que chorava, assustado. As pessoas foram do desespero à surpresa total. Murmuravam e apontavam, chocadas. Os pais de Diego estavam boquiabertos. Um maluco, que segurava uma placa onde se lia: "NÓS NÃO ESTAMOS SOZINHOS NO UNIVERSO", gritava para as pessoas, apontando para o garoto.
MALUCO - Eu sabia! Eu sabia! Olhem para ele! (entusiasmado)
Cena 03 - O convite no dia seguinte...
Pela manhã, bem cedo, dois homens bem vestidos foram visitar os pais de Diego em sua casa. De má vontade, por ser ainda muito cedo, o pai de Diego foi atendê-los.
PAI - O que vocês querem? Eu não quero comprar nada não, ouviram? (impaciente)
HOMEM 1 - Bom dia, senhor. Nós não somos vendedores. Viemos tratar de um assunto do seu interesse. (tom formal )
PAI - Ah, até que enfim perceberam o meu potencial, não é? Podem entrar! (pensando que se tratasse de alguma proposta de emprego)
Os homens entram, e são convidados a se sentar. A mãe de Diego, curiosa, entra timidamente na sala, se senta, e começa a bordar.
PAI - E então? (ansioso)
HOMEM 1 - Na verdade, senhor, estamos aqui por causa do seu filho. (ainda com tom formal)
A mãe do garoto dá uma espiada, atenta, mas sem parar de bordar.
PAI - O quê?! Vocês são da escola? Por que não disseram antes! O que aquele pestinha aprontou dessa vez? (um pouco bravo e desapontado ao mesmo tempo)
HOMEM 2 - Não é nada disso, senhor. Sabemos o que aconteceu no Festival. Viemos aqui lhe fazer uma proposta. (indo direto ao assunto)
PAI - ... (surpreso)
HOMEM 1 - Nós pertencemos a uma organização especializada no ensino de jovens com habilidades excepicionais, chamada S.I.A. Nós ficamos sabendo do que aconteceu, e estamos muito interessados no pequeno Diego.
PAI - Como vocês sabem o nome dele?! O que querem afinal?! (desconfiado)
HOMEM 2 - Não se preocupe, senhor. Temos as melhores intenções. Viemos aqui para pedir a permissão dos senhores para levá-lo. (escolhendo bem as palavras)
PAI - O quê?!!! (espantado)
MÃE - ... (havia parado de bordar e olhava para eles, boquiaberta)
HOMEM 1 - Senhor, veja bem, não nos entenda mal. Depois do que aconteceu, seu filho não terá mais sossego. Ele sempre será perseguido por curiosos e aproveitadores, que por preconceito o condenarão. É isso que o senhor deseja?
PAI - Mas é claro que não!!! (confuso)
MÃE - ... (ainda surpresa demais para falar)
PAI - E por que eu deveria permitir que o meu filho seja levado para esse lugar? (ainda desconfiado)
HOMEM 2 - Na S.I.A, seu filho será tratado como um igual pelos seus companheiros, terá uma educação de qualidade e aprenderá a controlar o seu "dom". Lá ele estará protegido do preconceito do mundo.
HOMEM 1 - Eu posso garantir que é a melhor escolha a se fazer senhor. Mas é claro que terá um preço.
Nisso, o pequeno Diego havia entrado cuidadosamente na sala, para escutar a conversa escondido.
PAI - Eu sabia! Era muito bom para ser verdade! Vamos ter que quebrar o porquinho de Diego! (zangado e desapontado)
MÃE - Adeus poupança da Faculdade! (desesperada)
DIEGO - ... (pensando: "Não! meu porquinho!")
HOMENS - ... (gotinha)
HOMEM 1 - Não é nada disso! Vocês entenderam errado! (não esperava essa reação)
HOMEM 2 - O seu silêncio é o preço. Queremos sigilo absoluto sobre tudo isso. Essa é a nossa única condição. (recuperando o tom formal)
PAI - Mas tudo isso deve custar uma fortuna! (descrente)
HOMEM 2 - Não se preocupe com isso, senhor. Existe um Fundo Privado que pagará todas as despesas. Dinheiro não é problema.
PAI - Mas e se alguém descobrir...? O meu filho... (ainda descrente)
HOMEM 1 - A S.I.A tem várias fachadas, como um colégio militar, uma faculdade especializada, ou uma escola de computação gráfica, por exemplo, dependendo da necessidade em questão.
PAI - ... (sem argumentos)
HOMEM 2 - Sabemos que é uma decisão muito difícil, senhor. Por isso mesmo, não precisa se decidir agora. Entraremos em contato novamente daqui a uma semana. Tudo o que o senhor precisa saber está neste panfleto, inclusive como nos contactar, caso tenha urgência. (entrega o panfleto para o pai de Diego)
HOMEM 1 - Lembrem-se: o futuro do seu filho está nas suas mãos. Pensem bem. Tenham um bom dia.
Cena 04 - A despedida...
Foi uma decisão muito difícil, mas era o melhor para Diego... Uma semana depois, como haviam combinado, os dois homens voltaram. Estava na hora das despedidas.
DIEGO - Eu não quero ir !!! Por favor, não me deixem ir !!! (choramingando, abraçado a sua mãe)
PAI - Nós iremos visitá-lo, você sabe disso... (murmura, olhando para o chão)
DIEGO - Eu não quero !!! Mamãe, me ajude! (começando a se desesperar)
MÃE - Querido... (hesitando)
PAI - Vai ser melhor assim. Um dia ele ainda nos agradecerá por isso. (evitando olhar para o filho, mas firme em sua decisão)
O garoto continuou a espernear por muito tempo. Não parou quando o carro importado virou a esquina e seus pais desapareceram da sua vista. Nem mesmo quando ele avistou pela primeira vez o lugar onde iria viver por tanto tempo. Ainda que não houvessem mais lágrimas ou vontade de chorar, ele sempre lembrava do momento da separação, e esperava ansioso por uma visita que nunca aconteceu.
To be continued...
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